8/7/2016 - DEUS É MISERICÓRDIA




                                      DEUS É MISERICÓRDIA

    Talvez, a maioria de nós tenha ouvido em criança a história da bela e da fera. Pode parecer só um conto para distrair os pequenos. Tornou-se uma obra clássica e isso acontece quando há na história algo que mexe com nossos sentimentos, em geral alguma verdade profunda sobre o ser humano. Poderíamos dizer que a fera representa o ser humano decaído, estragado por suas próprias opções e pecados. Que solução a história propõe para isso? Não é destruir aquele que se tornou um monstro; é trazê-lo de volta à sua situação humana original, boa, bonita, não corrompida. O caminho que o conto de fadas aponta é muito significativo: a força que vai fazer a fera voltar a ser gente é o amor. Esse amor não espera que a fera vire príncipe. É um amor oferecido enquanto ainda está na sua condição deformada. Em teologia diríamos: Deus nos salva porque é capaz de nos amar enquanto ainda somos pecadores.
    Os mandamentos de Deus e o Evangelho estão aí nos dizendo o que Deus quer: respeito à vida, honestidade, fraternidade, amor a Deus e ao próximo... Deus nos deu os mandamentos como orientações possíveis de serem cumpridas. Não diz que será fácil, mas afirma que o caminho da fidelidade à lei do Senhor é uma estrada aberta, onde se pode de fato andar.
No conto infantil, a presença da bela recuperou a fera. Foi preciso que essa presença se tornasse próxima, que a fera pudesse ser tocada e beijada de perto. Não seria tão eficiente ficar de longe e mandar mensagens.
    Deus, o invisível, o Todo-Poderoso, o que não cabe nas nossas palavras e nas nossas ideias, se tornou próximo, visível, palpável em Jesus. Nele a humanidade foi instruída com voz humana, tocada com mãos humanas, experimentada com afeto humano.
    Esse amor, tão próximo, tão comovente na firmeza de ir até o fim por nós, é a mão de Deus estendida para nos salvar, nos transformar, nos reconciliar. Diante do amor de Deus, não há fera que não possa ser gente de novo.
    No Evangelho de Lucas, o evangelista da Misericórdia, vemos alguém querendo saber como se agrada a Deus. O homem pergunta o que fazer para possuir a vida eterna. De certa forma, ele já sabe a resposta, conhece a vontade de Deus e cita direitinho para Jesus a instrução que já estava na lei. Se saber bastasse, o assunto estava resolvido. Mas não é essa a prova do vestibular para a vida eterna.
    Temos que passar do próximo teórico para o reconhecimento prático e efetivo do próximo no dia-a-dia. Jesus conta a parábola do bom samaritano para dar a esse “candidato a próximo” uma fisionomia definida. O próximo não é só o parente, o amigo, o conterrâneo; próximo é aquele de quem eu devo tornar-me próximo. É o caído nas estradas da vida, o que tem feridas físicas, econômicas, emocionais, intelectuais, afetivas. O próximo é aquele que precisa ser, de algum modo, socorrido. Quem precisa de mim, me convida a tornar-me próximo. É Deus quem fala nesse convite, é o seu chamado que me chega através da necessidade daqueles que precisam de minha solidariedade.
    Jesus exemplifica o que quer comunicar numa parábola adaptada às situações de seu tempo. Naquela época e naquela cultura, a esmola e a assistência individual eram o único caminho aberto para aliviar os sofrimentos dos necessitados. Hoje, a assistência aos pobres continua necessária, mas há também outras maneiras de ser bom samaritano. Existem hospitais públicos que devem funcionar melhor, verbas que devem ser aplicadas em equipamentos comunitários, lutas por vida melhor para todos. O exercício da cidadania solidária, exigindo nossos direitos e dos outros, cumprindo deveres em benefício da comunidade, é uma forma bastante inteligente de praticar o amor ao próximo.




                                                                                                         Pe. Manoel Júnior

 



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